CORPO EM MOVIMENTO COMO TECNOLOGIA DE MANUTENÇÃO E PERMANÊNCIA DAS CULTURAS E SABERES TRADICIONAIS
Este simpósio propõe reunir investigações que estudem o corpo em movimento como tecnologia de transmissão, manutenção, recriação e permanência de culturas e saberes tradicionais nas Américas. Tem por base as lógicas de organização, circulação e transmissão de conhecimentos presentes nas culturas afro-diaspóricas brasileiras e ameríndias, compreendendo o corpo como arquivo vivo, território de memória e dispositivo de produção de conhecimentos, identidades e formas de existência coletiva.
Partindo de perspetivas interdisciplinares, procura-se fomentar o diálogo entre diferentes expressões culturais, religiosas, artísticas e comunitárias, considerando que práticas corporais, rituais, danças, musicalidades, gestualidades, jogos, celebrações e performances constituem modos fundamentais de preservação e atualização de patrimónios culturais imateriais. Neste contexto, o simpósio pretende propiciar a articulação entre expressões como o Candomblé e outras culturas tradicionais brasileiras de matriz africana, bem como saberes e práticas ameríndias e afro-americanas, estabelecendo aproximações com experiências de outros territórios das Américas em que o corpo desempenha um papel central na continuidade de conhecimentos ancestrais.
Interessa compreender de que forma a performatividade destas culturas contribui para processos de permanência, resistência, transformação e desenvolvimento sociocultural perante as dinâmicas históricas de colonização, racialização, deslocamentos, urbanização e globalização. O simpósio acolhe estudos que abordem o corpo nas suas dimensões ritual, estética, educativa, política, espiritual, terapêutica e comunitária, reconhecendo-o como tecnologia social de produção e transmissão de saberes.
Serão especialmente bem-vindas investigações que dialoguem com temas como património cultural, educação, artes de palco, antropologia, história, estudos da performance, religiosidades afro-americanas, povos indígenas, culturas populares, oralidade, memória, decolonialidade, corporeidade e políticas culturais. Pretende-se constituir um espaço de intercâmbio entre investigadores, mestres e mestras de saberes tradicionais, artistas e lideranças comunitárias, fortalecendo redes de investigação e ampliando os debates sobre os modos pelos quais o corpo em movimento sustenta a continuidade e a renovação das culturas tradicionais nas Américas.
