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BIOÉTICA E FUTURO DO CUIDADO

O panorama global da saúde enfrenta uma transformação sem precedentes, impulsionada por acelerados avanços tecnológicos, transições demográficas complexas e persistentes fossos estruturais no acesso aos serviços de saúde. Neste cenário, a noção tradicional de «cuidado» exige uma profunda revisão concetual e prática. Este simpósio propõe um espaço de reflexão crítica e interdisciplinar orientado para examinar os dilemas éticos, bioéticos e sociais que configuram o futuro da assistência sanitária e do bem-estar humano no contexto global e latino-americano.
Para abordar esta complexidade, o simpósio articula-se em torno de quatro linhas temáticas essenciais. Em primeiro lugar, a «Bioética clínica» retoma a centralidade das decisões na prática diária, analisando os dilemas éticos que emergem da interação entre profissionais, pacientes e famílias em ambientes de elevada complexidade. Em segundo lugar, perante a irrupção da transformação digital, examina-se a «Ética no uso da Inteligência Artificial (IA) nos cuidados de saúde», um eixo crucial para discutir o impacto dos algoritmos no juízo clínico, na privacidade dos dados, na autonomia do paciente e na urgente necessidade de uma governação tecnológica humanizada.
Como terceiro eixo, o simpósio aborda os «Desafios, oportunidades e acesso aos cuidados de saúde», colocando o cuidado como um direito fundamental. Nesta perspetiva, serão debatidas as políticas públicas, as regulações e os imperativos de equidade e justiça sanitária necessários para superar as assimetrias dos sistemas de saúde contemporâneos. Finalmente, propõe-se um olhar integrador através das «Comunidades (cidades) que cuidam», um espaço dedicado a dar visibilidade ao papel dos cuidadores formais e informais, ao resgate do cuidado ancestral, ao desafio do envelhecimento populacional e à abordagem da saúde mental a partir de uma perspetiva comunitária e intercultural.
Em conclusão, este simpósio procura convocar investigadores, profissionais de saúde, bioeticistas e cientistas sociais para tecer pontes entre o rigor científico e a dimensão humanística. Ao analisar o cuidado a partir da interseção entre a tecnologia, a política, a clínica e a comunidade, pretende-se contribuir para a construção de modelos de saúde mais justos, sustentáveis, compassivos e centrados na dignidade da vida humana.

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