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BIODIVERSIDADE E SOBERANIA TECNOLÓGICA NA AMÉRICA LATINA

A maior riqueza da América Latina é a sua biodiversidade.

Esta é uma riqueza em sentido estético, ético e emocional, e, além disso, possui a potencialidade de se tornar também numa grande riqueza material que melhore as condições de vida dos latino-americanos.

O uso sustentável desta biodiversidade representa uma oportunidade para mudar radicalmente os cenários atuais de dependência dos povos do Sul Global. Isso exige fortalecer a soberania dos povos latino-americanos sobre os recursos naturais, as tecnologias que confiram um efeito multiplicador a tais recursos, de modo que, ao mesmo tempo, se preserve a própria biodiversidade. Ou seja, requer-se um uso da biodiversidade que evite o extrativismo e o colonialismo.

As tecnologias que se desenvolveram nos últimos 50 anos para o uso sustentável da biodiversidade estão a evoluir aceleradamente, e algumas delas permitem uma democratização tecnológica, com potencial de aplicação por países relativamente desfavorecidos. Ora, a dependência tecnológica e as ameaças coloniais sobre recursos e, sobretudo, sobre a informação genómica, química, estrutural, funcional, de geolocalização e de conhecimentos tradicionais associados continuam a ser enormes desafios.

Este simpósio propõe abordar, a partir de diversos ângulos, as seguintes perguntas:

– Como implementar biotecnologias que permitam, ao mesmo tempo que valorizam recursos naturais, preservar ou mesmo aumentar a biodiversidade, na América Latina?
– Como estabelecer sistemas seguros de geração, armazenamento, distribuição e uso justo da informação associada aos recursos naturais, mantendo um controlo soberano sobre tal informação?
– Como fazer chegar ao povo a riqueza e a valorização biotecnológica da biodiversidade na América Latina?

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