AS ARTES E A EDUCAÇÃO COMO DISPOSITIVOS DE CONFIGURAÇÃO DE MOVIMENTOS SOCIAIS NOS PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO DAS SOCIEDADES
A Arte é considerada como estratégia de permanência da humanidade e as atividades artísticas configuram o processo adaptativo que seres humanos necessitam para estar no tempo, conforme afirma Jorge de Albuquerque Vieira (2003). Num mundo no qual as guerras, a violência e o autoritarismo continuam a oprimir sociedades, quais mecanismos têm sido utilizados ou incrementados, visando o desenvolvimento de dimensões democráticas por meio de atos de criação ou pela participação e oposição (Dahl, 2009) nos nossos países, instituições e nas nossas práticas tanto artísticas como educacionais? Como nos temos organizado coletivamente e quais estratégias ainda são válidas ou devem ser ajustadas pensando em tempos nos quais há crenças sem reflexão pautadas mais no prestígio das ideias do que nas ideias em si mesmas? Ao depararmo-nos com a greve de estudantes em Novi Sad, na Sérvia, durante a realização do 58.º Congresso Internacional Americanista em 2025, observámos a resistência através de agrupamentos estudantis, ocupação de pontes e escolas, vigílias silenciosas, uso de aplicações para se moverem de um lado para outro. O apoio de familiares, incluindo a geração dos avós e das crianças, demonstrou a importância intergeracional para fortalecer movimentos de resistência. Este simpósio propõe a partilha de experiências para o reconhecimento de estratégias atuais nos nossos ambientes de existência e sobre como temos refletido sobre as relações entre poder, resistência e revolução. Opressões, resistências e movimentos sempre existiram ao longo do tempo, mas importa saber como temos aprendido e construído a partir do nosso conhecimento sobre as relações de poder e os movimentos sociais.
