ARTE, PODER E CRÍTICA SOCIAL — «A ARTE NÃO É UM ESPELHO PARA REFLETIR A REALIDADE, MAS UM MARTELO PARA A MOLDAR»
A arte não pode apenas ser utilizada para representar o poder político, mas também pode servir, sobretudo, como réplica face às relações de poder estabelecidas, acompanhada de uma crítica social. Neste contexto, a arte pode entender-se, então, como a materialização da «vontade de poder» (Friedrich Nietzsche): por um lado, quando os poderosos a utilizam para os seus próprios fins; por outro, quando os poderosos se veem confrontados e desafiados pelo uso da arte com fins de crítica social. Um exemplo célebre seriam os murais de Diego Rivera no Palácio Nacional da Cidade do México.
A arte é controversa e tanto a sua interpretação como a sua valorização estética são influenciadas por interesses de poder. Por outro lado, o potencial crítico e o efeito de poder das obras de arte assentam no facto de estas abrirem amplos espaços de interpretação e poderem ser entendidas em diferentes níveis simbólicos. Assim, por exemplo, há obras de arte que conseguem reunir significados contraditórios e fundi-los numa unidade de sentido. Devido à sua fundamental diversidade interpretativa, é necessária uma receção ativa e contínua das obras de arte para que estas se mantenham vivas (Georg Simmel); ou seja, exige-se a contínua interpretação tanto do público em geral como dos especialistas em arte para que o impacto estético-simbólico das obras possa desdobrar-se em todo o seu potencial ao longo do tempo.
O simpósio tem como objetivo, a partir de uma perspetiva interdisciplinar e com um foco nos fenómenos artísticos –não apenas no contexto latino-americano–, discutir a relação entre arte, poder e crítica social. Interessa-nos analisar expressões concretas que mostram como a arte é capaz de desafiar os poderosos. Desejamos convidar à apresentação de comunicações que permitam unir perspetivas sociológicas, filosóficas, da teoria crítica, dos estudos de género, dos racial studies, dos estudos pós-coloniais, etc., para investigar como se confrontam as hierarquias de poder através da arte.
