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ARQUEOLOGIA E HISTÓRIAS DA GUERRA E DA PAZ NA ÁREA MAIA

O ano de 2027 marca o 500.º aniversário do início da conquista espanhola do Iucatão: um prolongado processo de guerra, negociação, resistência e adaptação que continuou a transformar a região maia muito depois das primeiras campanhas. A área maia experimentou conflitos armados ao longo de grande parte da sua história, desde as evidências arqueológicas do período Pré-Clássico e as guerras dinásticas do Clássico até à resistência colonial e aos conflitos modernos, como a Guerra Civil da Guatemala e o conflito de Chiapas.

Este simpósio explora a guerra e a paz no mundo maia ao longo de mais de três milénios, desde as evidências arqueológicas mais antigas até aos testemunhos da era moderna. Analisa tanto os aspetos universais dos conflitos –as suas dimensões políticas, sociais, militares e humanas– como as condições históricas, culturais e ambientais particulares que moldaram a guerra, a diplomacia e a coexistência na região maia.

Os temas incluem a evidência arqueológica de conflitos armados; as características da guerra maia em comparação com outras sociedades; conceitos como regras de confronto, estratégia, tática e organização militar; a existência de tratados de paz; e as formas como as forças maias e europeias modificaram as suas práticas militares durante a conquista. Examinam-se também aspetos como o recrutamento, a logística, as alianças, a inteligência, as fortificações e a influência do ambiente nas operações militares.

Embora os estudos sobre a guerra maia antiga tenham tradicionalmente enfatizado os governantes, as campanhas e a competição política, este simpósio procura ampliar a discussão rumo às consequências humanas do conflito: o sofrimento da população civil, os efeitos psicológicos da guerra, os prisioneiros, a reconstrução social e a recuperação posterior. Do mesmo modo, realça a importância de incorporar perspetivas das ciências militares, incluindo a análise da estratégia, das operações, da liderança, da logística, da inteligência, da guerra assimétrica e da geografia militar.

Os períodos de Contacto e Colonial representam uma profunda transformação militar na história maia. A conquista não foi um episódio breve, mas um processo de gerações marcado por campanhas, alianças, rebeliões e negociações no Iucatão, na Guatemala, em Chiapas, em Belize, nas Honduras e em regiões vizinhas. O avanço espanhol dependeu não só da tecnologia europeia, mas também de aliados indígenas, adaptações estratégicas e instituições coloniais emergentes. Por sua vez, as comunidades maias modificaram os seus sistemas defensivos, táticas, armas e redes políticas para enfrentar novas formas de guerra.

Os conflitos continuaram durante séculos através de resistências indígenas, guerras fronteiriças, milícias locais e acordos negociados, demonstrando que o domínio colonial foi constantemente disputado e renegociado.

Este simpósio convida arqueólogos, historiadores, epigrafistas, antropólogos, historiadores militares, bioarqueólogos e especialistas em ciências forenses, geógrafos históricos e investigadores de conflitos a desenvolver novas perspetivas interdisciplinares sobre a guerra e a paz como forças que transformaram as sociedades maias.

Aceitam-se contributos de diversas disciplinas e períodos históricos. As comunicações poderão ser apresentadas em espanhol ou inglês.

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