A INTERAÇÃO E O PAPEL DA COSTA IUCATECA NA ÉPOCA PRÉ-HISPÂNICA E A SUA RELAÇÃO COM OS ASSENTAMENTOS MAIAS AO LONGO DO TEMPO
A costa iucateca desempenhou um papel importante na época pré-hispânica, uma vez que, além de possuir recursos marinhos e litorais que foram utilizados pelos maias antigos, como o sal e a pesca, estabeleceram-se portos de intercâmbio, que desempenharam uma função importante nos diferentes períodos de desenvolvimento da cultura maia ao longo do tempo.
Em diferentes pontos do litoral da Península do Iucatão estabeleceram-se portos de comércio que ligaram sítios do interior a circuitos mercantis em redor e fora da península iucateca, com os quais podiam trocar produtos locais com os forâneos. Entre os portos de intercâmbio costeiros podemos mencionar Xcambó, que possivelmente teve vínculos com Izamal e Dzibilchaltún durante o Clássico Inicial; Isla Cerritos, que ligava Chichén Itzá a outras regiões limítrofes com a zona maia durante o Clássico Terminal; e outros como El Cuyo e Emal, no nordeste do Iucatão, cujo papel ainda está por investigar. Neste contexto, surgem complexos assentamentos maias cujo desenvolvimento só pode ser explicado pelos seus vínculos com a costa, como é o caso de Chunchucmil. Do mesmo modo, emerge uma elite mercantil que controla o comércio local e de longa distância, como ilustram as fontes coloniais, ao referir o papel da linhagem dos Cocom de Mayapán no comércio peninsular, durante o Pós-Clássico, e como, após a destruição desta urbe maia, um mercador da elite Cocom, que durante este acontecimento estava a comerciar na região das Honduras, conseguiu salvar a vida. Neste simpósio abordamos estudos sobre a riqueza dos recursos marinho-litorais, o papel dos portos de intercâmbio, a recolha e distribuição dos produtos da costa e do interior, bem como dos forâneos, que lançaram as bases do surgimento de assentamentos maias complexos dirigidos por um estrato elitista de comerciantes, que controlava esta atividade. Estes e outros aspetos serão abordados para realçar a importância que a costa peninsular desempenhou no desenvolvimento da civilização e da organização política dos maias pré-hispânicos desta região.
