«A NOSSA AMÉRICA» E A ESCOLA DE SALAMANCA: 500 ANOS DE FILOSOFIA E DE TEOLOGIA
A propósito do V centenário da Escola de Salamanca (1526-2026), e reconhecendo a importância do pensamento dessa escola no Novo Mundo em matéria de filosofia e teologia, o simpósio pretende recriar um espaço de reflexão para comemorar as sinergias entre uma escola do pensamento europeu e «a nossa América». Numa perspetiva filosófica e teológica, procura-se convocar a pensar: a especificidade do humano, o projeto de sociedade, os direitos humanos, a interculturalidade, os antigos e novos cenários do transitar humano, os desafios do presente à luz da história passada, a descolonização, os desafios da IA.
Mas este pensar procura entrelaçar o antigo e o emergente. Não se trata apenas de um exercício de indagação sobre os vestígios da história humana, mas de apropriá-la e torná-la presente através de atos hermenêuticos. Nisto são fundamentais as leituras a partir da filosofia e da teologia. O fundador da Escola de Salamanca, Francisco de Vitória, pai do direito internacional, é um autor de destaque, reconhecido por ter influenciado com o seu pensamento Bartolomé de las Casas; por ter fornecido a base intelectual do debate sobre o indígena americano na disputa de Valladolid; por ser precursor do pensamento político moderno. O seu trabalho é pertinente porque lê a filosofia e a teologia numa perspetiva social, prática, humanista. Ultrapassa assim um escolasticismo centrado em conceitos abstratos.
Esse pensar consolida-se no Concílio de Trento e chega à América. Não chega apenas através da questão da humanidade indígena, mas também em compreensões pastorais, missionárias e morais da Igreja. A América, por seu lado, sabe ler e enriquecer o espetro universal da filosofia e da teologia. Permite novas formas de pensar, por exemplo, descentra o essencialismo aristotélico e abre-o a uma visão mais historicista e dinâmica.
Em todos os sentidos, vale a pena a oportunidade para comemorar e para voltar a pensar o antigo e o emergente a propósito do encontro entre a Escola de Salamanca e a Nossa América nos 500 anos da escola.
