VESTÍGIOS DE UM MESMO MUNDO. PRÁTICAS POLÍTICAS LOCAIS E IMPERIAIS A PARTIR DA CIDADE EM TEMPOS DAS MONARQUIAS IBÉRICAS, SÉCULOS XV-XVIII
A cidade foi companheira da expansão hispânica na América desde 1492. À maneira de pilares, ligavam-se os âmbitos locais e imperiais; nas práticas de governo quotidianas, os centros urbanos mostraram os avanços e recuos nos processos de conquista e povoamento de novos territórios. Cada centro de poder teve as suas particularidades e, ao mesmo tempo, demonstraram tratar-se de uma história comum das monarquias ibéricas. Ou seja, a ordem da cidade, as suas autoridades, os mecanismos de governo e a vida sociocultural que se entreteceu nas suas ruas estão ligadas e condicionam a modernidade desde o século XVI. Por esta razão, a sua história ao longo deste amplo período demonstra que as cidades dos séculos XVI a XVIII são vestígios de um mesmo mundo. O propósito desta mesa é ligar as distintas práticas políticas que se entrelaçaram nas cidades que constituíam a presença da monarquia hispânica na América. Neste sentido, os temas da urbs e da civitas, o governo dos oficiais reais e das elites locais, ou os aspetos quotidianos do rumor, da guerra ou da vida em polícia, bem como o tantas vezes promulgado «Obedece-se, mas não se cumpre», reflexo de certas dinâmicas institucionais, permitir-nos-ão indagar numa história complexa e de longa duração, como é a existência e projeção das cidades americanas ao longo dos séculos.
