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SIMPÓSIO: TRABALHO ASSALARIADO RURAL E DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA DO CAMPO LATINO-AMERICANO

Duas vias de interpretação da modernização capitalista do mundo rural afirmam que o principal movimento do processo modernizador foi a expulsão do campesinato e a sua transformação num «sujeito para o capital» e para o mundo urbano, como proletário, ou, noutra direção, que o seu resultado foi a formação de uma agricultura moderna, familiar, constituída por pequenas e médias propriedades rurais, articuladas com um mercado consumidor. Em ambos os casos, a conclusão é que, ou a proletarização, ou a agricultura familiar, geraram as condições para o desenvolvimento do capitalismo no campo. Na América Latina, onde o latifúndio se associou à transição capitalista, haveria a confirmação da existência de uma outra via dessa modernização, autoritária. No âmbito destas análises, foram produzidas importantes análises críticas sobre políticas de desenvolvimento rural e agrícola e os seus impactos sobre as condições de vida rural e o ambiente. Tais debates, porém, e à exceção de trabalhos realizados por um pequeno número de investigadoras|es latino-americanos nas últimas décadas, pouco se têm debruçado sobre as condições de vida, a organização do trabalho e a identidade das|os assalariadas|os rurais latino-americanos. Subordinados aos processos capitalistas de mercantilização, as|os assalariadas|os rurais parecem ser marginais no contexto da formação e do fortalecimento da agricultura familiar, não emergindo nos debates relativos ao desenvolvimento rural, às políticas públicas e às relações com os demais sujeitos rurais — incluindo agricultoras|es familiares, muitas|os das quais também se assalariam temporariamente. O GT propõe, então, reunir investigadoras|es que contribuam para a reflexão sobre o lugar histórico, social, económico e político das|os assalariadas|os no mundo rural e nos processos de desenvolvimento do campo, pressupondo que a existência delas|deles depende de uma multiplicidade de processos materiais e simbólicos derivados da mercantilização das relações sociais próprias do desenvolvimento rural, e que, sem o seu envolvimento direto, é impossível constituir projetos sociais alternativos ao capitalismo e à sua destrutividade. Neste sentido, são esperados trabalhos que, a partir de perspetivas interdisciplinares e|ou da sociologia, antropologia, história, economia e ciência política, discutam o assalariamento e as|os assalariadas|os como sujeitos do desenvolvimento numa perspetiva latino-americana ou comparada, tanto teórica como empiricamente.

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