SIMPÓSIO: ESTIGMA E LUTAS PELO RECONHECIMENTO DA DIGNIDADE HUMANA
O estigma é um conceito atual e pertinente para compreender múltiplos fenómenos de exclusão social, como o racismo, a homofobia, a aporofobia e a misoginia, entre outros. Estas práticas de exclusão podem gerar múltiplas afetações físicas, psicológicas e sociais, decorrentes da reificação do indivíduo portador de um atributo considerado contrário à ordem hegemónica, o que, por vezes, se traduz em práticas como o deslocamento forçado, a tortura, a escravatura, a violação de direitos humanos ou o extermínio de modos culturais ou sociais, devido à desumanização, ao stress e à falta de reconhecimento dos indivíduos estigmatizados pela sua condição étnica, religiosa, de saúde, política, social, de género e até pelos seus hábitos de vida, pela sua idade ou pela sua aparência física, entre outras interseccionalidades.
O estigma, enquanto fenómeno estreitamente ligado aos estereótipos, aos preconceitos, à discriminação e à exclusão, comporta-se como uma trama de relações dependentes e determinantes marcadas por questões de ordem individual, social e estrutural, que não pertencem necessariamente a apenas uma destas categorias, pois as suas formas de manifestação não seguem uma distribuição hierárquica linear, precedendo-se umas às outras, mas sim como uma rede complexa onde se tece a relação entre esses conceitos, interligando causas e consequências.
O simpósio «Estigma e lutas pelo reconhecimento da dignidade humana» é concebido como um espaço de discussão em torno da diferença, no qual se possam abordar conceptualizações atuais que, ao vincularem-se, a partir da interseccionalidade, a categorias como a etnicidade, o género, a classe social, o stress, a saúde mental, entre outras, perpetuam ações de discriminação e exclusão que limitam a garantia de direitos sociais para as pessoas estigmatizadas.
A partir da Universidade Pontifícia Bolivariana, da Universidade Nacional de Córdoba, da Rede Estigma, da Rede Latino-Americana de Investigação sobre Estigma e Drogas e de outras instituições parceiras, existem importantes desenvolvimentos teóricos e científicos, apoiados em publicações de livros e investigações multicêntricas na Ibero-América sobre estigma em relação a pessoas com problemas de saúde mental, consumo de drogas, dissidências de género, obesidade e doenças infeciosas, entre outras, o que representa não só um contributo teórico para a construção de sociedades mais justas e respeitadoras da diferença, mas também dados empíricos para a tomada de decisões baseadas em evidências.
O simpósio insere-se na área temática «Estudos Sociais e Movimentos Sociais» e pretende ser um espaço onde não só se apresentem investigações com resultados sobre estratégias de redução do estigma face a múltiplas condições discriminadas ou o stress que as pessoas estigmatizadas sofrem, mas também uma oportunidade para que grupos vulneráveis mostrem experiências bem-sucedidas de reconhecimento social a partir do ativismo e da incidência política, com vista a sublinhar a necessidade de avançar para a construção e execução real de políticas públicas inclusivas e respeitadoras dos direitos humanos e da diversidade no âmbito da equidade.
