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REDES DE MOBILIDADE E INTERCÂMBIO: AVANÇOS RECENTES NA INVESTIGAÇÃO ARQUEOLÓGICA NO SUL DA AMÉRICA CENTRAL

Desde os primórdios da investigação arqueológica no sul da América Central, os investigadores têm tentado definir fronteiras culturais claras, estabelecer ruturas bem delimitadas nos processos históricos e identificar estruturas sociais claramente hierarquizadas, seguindo modelos desenvolvidos para regiões vizinhas como a Mesoamérica ou os Andes. Neste contexto, o sul da América Central tem sido frequentemente caracterizado como uma região marginal, uma zona de transição ou um espaço recetor de influências culturais provenientes das suas áreas vizinhas.

No entanto, nos últimos anos consolidou-se cada vez mais a ideia de que as sociedades de pequena escala, altamente móveis e com hierarquias pouco marcadas, características do sul da América Central, não são de todo inferiores às sociedades hierárquicas das regiões vizinhas. Pelo contrário, desenvolveram formas próprias de organização social, adaptadas de forma ótima às condições específicas do seu ambiente, que lhes permitiram alcançar um elevado grau de resiliência face às mudanças ecológicas, políticas e culturais.

A diversidade de atores e a mobilidade entre os numerosos centros de atividade do sul da América Central podem descrever-se de forma particularmente eficaz através de modelos de redes. Os assentamentos podem entender-se como nós dentro de uma rede, enquanto as ligações entre eles refletem a diversidade de intercâmbios de objetos, bens, conhecimentos e ideias. As interações desenvolvidas nestas redes deram origem à formação de comunidades que não necessariamente atuavam dentro de territórios claramente delimitados. Estas dinâmicas comunidades de interesses e de prática costumam denominar-se «comunidades de prática».

As redes de mobilidade e de intercâmbio de bens, objetos e ideias parecem ter constituído um traço especialmente característico das sociedades do sul da América Central. Por isso, é necessário aprofundar o seu estudo através de investigações arqueológicas mais detalhadas. Para alcançar este objetivo, devemos continuar a gerar dados arqueológicos sólidos e comparáveis, bem como reduzir as lacunas existentes no registo arqueológico.

Convidamos a participar neste simpósio todas as colegas e todos os colegas que possam apresentar novos dados provenientes de investigações recentes sobre a arqueologia do sul da América Central. Serão bem-vindos contributos sobre arqueologia do assentamento, arqueologia da paisagem, geoarqueologia, tipocronologia, estudos iconográficos, datação através de métodos arqueométricos, análise de materiais, estudos bioantropológicos e investigações sobre a organização económica e social das sociedades pré-hispânicas. A abordagem regional deverá centrar-se na arqueologia das Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Do mesmo modo, o norte da Colômbia, como parte da denominada Área Ístmico-Colombiana, bem como as Caraíbas, constituem regiões de interesse. No entanto, estas últimas deverão ser consideradas dentro do quadro comparativo do simpósio, sem constituir o seu eixo principal. As comunicações poderão ser apresentadas em qualquer um dos idiomas oficiais do congresso, preferencialmente em espanhol ou em inglês.

Através de novos dados arqueológicos e de abordagens interpretativas inovadoras, poderemos compreender melhor as sociedades altamente móveis e dinâmicas do sul da América Central, bem como o papel singular que desempenharam na América pré-hispânica.

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