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MEMÓRIAS VIVAS NOS POVOS ORIGINÁRIOS: TRADIÇÃO, CRIAÇÃO E INOVAÇÃO NAS AMÉRICAS

As memórias dos povos originários das Américas não são um depósito estático do passado, mas sim uma trama dinâmica onde tradição e inovação coexistem, dialogam e se transformam mutuamente. Este simpósio propõe explorar de que forma as comunidades indígenas recriam, reinterpretam e projetam as suas memórias em contextos contemporâneos marcados pela colonialidade persistente, pela globalização, pelas disputas territoriais, pela revitalização cultural e pela emergência de novas tecnologias.
O objetivo central é analisar os processos mediante os quais os povos originários articulam continuidade e mudança nas suas práticas rituais, artísticas, linguísticas, políticas e territoriais. Procura-se destacar a agência indígena na produção de conhecimento, na ressignificação de iconografias tradicionais e coloniais, na defesa dos seus territórios e na criação de novas formas de expressão cultural que dialogam com o presente sem renunciar à profundidade histórica das suas memórias.
O simpósio convoca investigações que examinem de que forma a tradição é reativada e ressignificada em práticas contemporâneas: desde a arte indígena atual — que reinterpreta símbolos ancestrais e visualidades coloniais — até às pedagogias comunitárias para a revitalização linguística; desde as ritualidades que sustêm a memória territorial até às inovações tecnológicas que permitem a criação de arquivos audiovisuais, cartografias colaborativas e plataformas digitais de transmissão cultural.
Assim mesmo, propõe-se refletir sobre as tensões entre as políticas estatais de indigenismo, patrimonialização e multiculturalismo, e as epistemologias indígenas que reivindicam autonomia, autodeterminação e modos próprios de compreender o mundo. Neste sentido, o simpósio procura abrir um espaço interdisciplinar onde convirjam a história da arte, a antropologia, os estudos culturais, a linguística, a arqueologia, os estudos descoloniais e outras disciplinas interessadas em compreender a vitalidade contemporânea dos povos originários.
Em consonância com o lema do 59.º Congresso Internacional de Americanistas, “Tradição e inovação: as memórias das Américas”, este simpósio propõe que as memórias indígenas não só preservam o passado, como também geram futuro. As comunidades originárias, longe de serem concebidas unicamente como guardiãs de tradições, revelam-se como criadoras ativas de novas formas de vida, de pensamento e de expressão estética. A sua capacidade de transformar a tradição em inovação constitui uma das chaves para compreender as múltiplas temporalidades que configuram as Américas.
Este espaço procura reunir investigações que iluminem estas dinâmicas e que permitam compreender de que forma as memórias indígenas — vivas, móveis e criativas — contribuem para imaginar outros horizontes para o continente.

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