MEMÓRIAS DIGITAIS E NOVAS REDES DE CIRCULAÇÃO NA AMÉRICA LATINA
No contexto das transformações tecnológicas contemporâneas, que redefiniram os modos de vida à escala planetária, as memórias que historicamente foram pensadas como coletivas na América Latina estão a experimentar profundas mutações, reconfigurações e desacoplamentos ligados à digitalização dos arquivos, à expansão das plataformas digitais e à emergência de novos espaços de circulação dos relatos históricos, políticos e culturais. Neste sentido, assistimos a uma renovação dos campos do saber a partir da redefinição das categorias de análise, da atualização do processamento de dados, da incorporação de renderizações com IA e da reformulação das metodologias que evidenciam os fenómenos tecnodigitais, de automatização e de geração de imagens. Este simpósio propõe-se examinar como as tecnologias digitais, o seu espaço cibernético e as suas unidades informáticas e de dados reconfiguram as práticas de conservação, transmissão e mediação da(s) memória(s) nas Américas. Pretende também questionar as desigualdades no acesso às tecnologias digitais na América Latina e as formas alternativas de circulação dos saberes e das diferentes memórias (locais, indígenas, afrodescendentes, dissidentes, digitais, etc.). Procurar-se-á analisar como os espaços digitais -ou o ciberespaço- produzem novas territorialidades da(s) memória(s) com um carácter transnacional, transdigital e transgeracional. Em diálogo com os eixos do congresso, em particular com «Tradição e inovação: as memórias das Américas», este simpósio procura reunir investigadores das ciências sociais, das humanidades digitais, dos estudos culturais, dos estudos visuais, da comunicação, da arquivística e da história para refletir sobre os desafios políticos, sociais e culturais das memórias digitais. As contribuições poderão abordar, entre outros temas:
os arquivos digitais comunitários e cidadãos;
as memórias das violências políticas e das ditaduras nos ambientes digitais;
as redes sociais como espaços de patrimonialização e memória coletiva;
os museus virtuais, plataformas colaborativas e humanidades digitais;
os desafios de soberania tecnológica e de acesso aos arquivos;
as práticas audiovisuais, sonoras e interativas de transmissão da memória;
a inteligência artificial e as novas formas de mediação da memória;
as tensões entre memória, esquecimento, algoritmos e plataformas globais;
as memórias algorítmicas e a automatização;
as memórias «na nuvem» como repositórios emergentes;
a produção de memórias digitais através de novas tecnologias (IA, big data, etc.).
Este simpósio promoverá uma abordagem interdisciplinar e comparativa com o fim de contribuir para os debates contemporâneos sobre as relações entre memória, inovação e tecnologias nas Américas.
