DOS VICE-REINADOS AOS ESTADOS NACIONAIS TRAJETÓRIAS HISTÓRICAS E PERSPETIVAS COMPARADAS NO RIO DA PRATA E NA NOVA GRANADA (SÉCULO XIX) CONTRASTES, CONVERGÊNCIAS, TRANSIÇÕES
O propósito deste simpósio é promover o diálogo acerca das mutações, mudanças e continuidades que se desenvolveram no Rio da Prata e na Nova Granada durante o século XIX. Os novos Estados nacionais, resultantes de uma crise exógena –o colapso da monarquia e do império bourbónicos– e de uma longa tradição colonial, marcaram novos caminhos, por vezes acompanhados de velhas fórmulas, num processo de consolidação que durou mais de um século.
O desmembramento das unidades do vice-reinado não esteve isento de conflitos, tanto internos como externos, que confrontaram aqueles que, no passado colonial, constituíam uma unidade instável sustentada pelo andaime colonial.
Os novos imaginários e representações, as novas práticas sociais e culturais, consolidaram-se num mundo de mudanças económicas, políticas e institucionais profundas para os seus protagonistas. Novas zonas de confluência, de conflitos e de complementaridade entre a tradição e a então modernidade em cada uma das regiões foram desenvolvendo fórmulas nas quais se visualizam semelhanças e diferenças, tanto no interior dos novos Estados nacionais como nos conflitos entre eles.
Ambos os vice-reinados, surgidos ao abrigo das Reformas Bourbónicas e resultantes da fragmentação do Vice-Reinado do Peru, desenvolveram os seus próprios processos de formação e consolidação, encontrando numerosos contrastes e convergências sul-norte ao longo de todo o século XIX: a unidade gerada nos processos independentistas com os libertadores, a fragmentação das unidades administrativas tardo-coloniais, o reconhecimento da Independência do Paraguai por parte da Colômbia em 1846, a repulsa ao tratado secreto da Tríplice Aliança e a solidariedade oferecida ao povo paraguaio após a guerra.
Ao articular contrastes, convergências e transições, este simpósio propõe um espaço de novos diálogos historiográficos sobre as trajetórias históricas do Rio da Prata e da Nova Granada, vistos a partir de perspetivas dinâmicas e complexas. Examinar os múltiplos processos oitocentistas constitui uma aposta em que os contrastes e as transições partilhadas colocarão sobre a mesa as evidências dos subtis mas significativos vínculos.
