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CLASSICISMO EM DISPUTA: CONSTRUÇÃO E DESCONSTRUÇÃO DA TRADIÇÃO CLÁSSICA NAS AMÉRICAS.

Este simpósio propõe um espaço de reflexão interdisciplinar em torno do papel crucial –e frequentemente conflituoso– que a tradição greco-romana clássica desempenhou nos processos de invenção, legitimação e contestação da identidade americana desde o período colonial precoce até à contemporaneidade. Longe de ser uma mera transposição passiva ou mimética de modelos eurocêntricos, a apropriação da geografia, dos textos, da filosofia, da estética e das instituições da Antiguidade clássica nas Américas constitui um fenómeno dinâmico de tradução cultural, hibridação e tensão com as tradições originárias e a memória seletiva. O simpósio articular-se-á a partir das contribuições de uma rede internacional de investigadores provenientes de diversas disciplinas –história, filosofia, literatura e história da arte, por exemplo. Os eixos de discussão poderão abordar questões relativas a, por exemplo, como a ciência, a cosmografia e o pensamento antigo serviram de andaime intelectual no choque colonial e na posterior ordenação do território americano. Explorar-se-á o uso das linguagens literárias, pictóricas e políticas clássicas em contextos coloniais ou republicanos, orientadas para a configuração identitária desses territórios e dos seus habitantes. Examinar-se-á, ao mesmo tempo, como a apropriação e ressignificação desses materiais já encerram as tensões características ainda hoje da relação das Américas com a sua herança múltipla e conflituosa. O carácter transdisciplinar deste simpósio constitui uma aposta deliberada em ultrapassar as fronteiras metodológicas tradicionais, potenciando a investigação humanística através do diálogo entre a história, a filosofia da ciência, a literatura e a filologia, a história da arte e o pensamento decolonial. Este cruzamento de perspetivas não só permite refletir a profunda complexidade das apropriações e resistências culturais nas Américas, como se torna indispensável para desestabilizar e questionar os pressupostos disciplinares eurocêntricos construídos para outros contextos, insuficientes para dar conta das tensões epistémicas do nosso território.

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