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AS VIDAS TEMPORAIS DOS LUGARES: ARQUEOLOGIA, MEMÓRIA E PATRIMÓNIO NA MESOAMÉRICA E NO NOROESTE DA AMÉRICA DO SUL

As investigações arqueológicas na Área Ístmico-Colombiana e regiões vizinhas mostram cada vez com maior clareza que os lugares marcados de forma perdurável na paisagem mantêm o seu significado para as comunidades humanas durante longos períodos de tempo, que abrangem séculos e até milénios. No entanto, ao interpretar esta longa história, a arqueologia costuma recorrer a conceitos como a continuidade, a permanência, a monumentalidade e a durabilidade dos objetos e das suas propriedades materiais. Embora os estudos etno-históricos e etnográficos tenham explorado amplamente como os povos indígenas concebem os seus passados recentes e profundos, incluindo noções de ancestralidade, persistência e memória, estas perspetivas continuam a ter uma presença relativamente limitada na interpretação arqueológica.

As interpretações arqueológicas sobre a persistência material entrecruzam-se de múltiplas formas com as conceções locais de memória, ancestralidade, história e lugar. Em vez de assumir que os objetos e as paisagens possuem aspetos temporais inerentes, este simpósio propõe perguntar como os materiais duradouros adquirem significado através de atos contínuos de rememoração, práticas rituais, narração oral, cuidado, reutilização e transformação. O que faz com que determinados lugares, objetos ou paisagens continuem a ser significativos ao longo de gerações? Como se produzem, negociam ou disputam a continuidade e a rutura? E como mudariam as narrativas arqueológicas se as conceções indígenas sobre passado, presente e futuro fossem levadas a sério como quadros interpretativos, e não apenas como perspetivas complementares?

Convidamos contributos que examinem a formação, negociação ou transformação de significados temporais através da criação e manutenção de paisagens, lugares de memória, contextos funerários ou espaços de deposição. Ao contrário de investigações anteriores que consideraram os materiais arqueológicos intrinsecamente portadores de temporalidade, este simpósio propõe explorar como as cronologias arqueológicas dialogam com as histórias locais, as tradições orais, as epistemologias indígenas e as investigações desenvolvidas em colaboração com as comunidades contemporâneas. Por exemplo, como deveria interpretar-se a ocupação reiterada de um mesmo centro cerimonial durante vários séculos? De que forma as investigações colaborativas entre arqueólogos, antropólogos, historiadores e comunidades locais podem transformar as nossas conceções atuais do tempo?

Recebemos com interesse trabalhos que abordem estas problemáticas a partir de estudos de caso na Mesoamérica e na Área Ístmico-Colombiana. Os resumos poderão abordar temas como monumentos e memória, paisagens rituais, biografias de objetos, contextos funerários, cronologia, património cultural, sistemas indígenas de conhecimento e participação comunitária. Serão especialmente bem-vindos os contributos provenientes da arqueologia, da antropologia, da etno-história, dos estudos patrimoniais e da investigação realizada por académicos indígenas.

O objetivo deste simpósio é promover uma perspetiva transregional e uma conversa verdadeiramente interdisciplinar que permita gerar novas formas de considerar as vidas temporais dos lugares e dos materiais nas comunidades indígenas, ao mesmo tempo que oferece um espaço de intercâmbio entre investigadores de diferentes regiões e disciplinas.

Ao reunir especialistas que trabalham a partir de diversas tradições e áreas geográficas, este simpósio procura explorar como os vestígios materiais perduram não só porque sobrevivem fisicamente, mas também porque as pessoas os reativam, reinterpretam, mantêm e mobilizam continuamente no presente.

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