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ARQUEOGEOGRAFIA DOS SISTEMAS DE MOVIMENTO NAS AMÉRICAS

O processo de patrimonialização UNESCO da rede viária andina (concluído em 2014) motivou a realização de muitas investigações arqueológicas e etno-históricas sobre os sistemas de movimento pré-modernos nos países andinos. Embora os caminhos do império inca tenham concentrado o interesse académico, essas investigações evidenciaram, ao mesmo tempo, a diversidade tecnológica e cronológica das infraestruturas viárias.
Este simpósio oferece um espaço de discussão sobre a diversidade dos sistemas de movimento à escala das Américas. Do mesmo modo, abre um enorme potencial para uma abordagem comparativa, entre uma imensa diversidade de contextos ambientais, sociopolíticos e culturais. Uma abordagem macrorregional semelhante já demonstrou o seu potencial, nomeadamente nos livros Ancient road networks and settlement hierarchies in the new world (Trombold 1991) e Landscapes of movement (Snead et al. 2009).
Desde a publicação destes livros de referência, as fontes de dados aumentaram significativamente: imagens aéreas de muito alta resolução, imagens topográficas, cadastros arqueológicos, repositórios digitais de cartografias históricas, etnografias de práticas de mobilidade não motorizadas (por exemplo, caravanas de lamas), entre outras. Frequentemente, estas fontes permitem desenvolver abordagens arqueológicas e etnoarqueológicas refinadas, combinando abordagens qualitativas e quantitativas, tanto para o registo das infraestruturas e marcas de sistemas de movimento mais ou menos antigos, como para analisar a sua configuração socioterritorial e a sua cronologia ao longo do tempo (superando conjunturas históricas específicas). Além disso, associadas a dados sobre padrões de povoamento, paisagens culturais e configurações biogeográficas, a análise de sistemas de movimento constitui uma abordagem fundamental para estudar dinâmicas territoriais.

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