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ABORDAGENS QUANTITATIVAS PARA A CARACTERIZAÇÃO DISTRIBUTIVA NA AMÉRICA LATINA

O coeficiente de Gini continua a ser, de longe, o indicador mais utilizado para resumir a dispersão de uma distribuição de rendimento ou riqueza num único número. Mas essa síntese tem um custo que a literatura tem assinalado repetidamente: duas distribuições podem partilhar um Gini quase idêntico e, ainda assim, ter formas completamente distintas, com a variância concentrada em segmentos diferentes e afetando grupos populacionais que pouco têm a ver entre si. Isto tem consequências práticas diretas, porque o tipo de intervenção política que convém aplicar depende precisamente de onde e como está organizada essa dispersão, e não apenas da sua magnitude.
Este simpósio procura abrir espaço a essa questão menos frequente: não quanta dispersão distributiva há nos países da região, mas como está estruturada. Em que percentis se concentra, que variáveis a explicam, e o que tudo isto implica para a conceção de política económica.
A heterogeneidade estrutural que atravessa boa parte da América Latina faz com que aplicar estimadores agregados, ou assumir homogeneidade onde não existe, acabe por gerar enviesamentos de estimação e uma perda de informação que se revela dispendiosa na hora de direcionar políticas públicas ou alocar recursos de forma eficiente.
Convocam-se contribuições metodológicas e empíricas em várias linhas de trabalho, entre elas:
Indicadores, métodos de decomposição ou técnicas econométricas para caracterizar a estrutura distributiva do rendimento ou da riqueza, incluindo pobreza multidimensional, mobilidade social (intra e intergeracional), e modelos de estratificação socioeconómica.
Aplicações empíricas com dados censitários, inquéritos aos agregados familiares ou outras fontes estatísticas que permitam estimar a distribuição do rendimento ou da riqueza a nível nacional ou subnacional.
Análise de heterogeneidade territorial e dos seus determinantes económicos, seja através de efeitos fixos regionais ou de estimativas estratificadas.
Implicações de política pública que decorrem de reconhecer que a intervenção ótima depende da estrutura distributiva própria de cada território e não apenas da sua média ou variância agregada.
São bem-vindas tanto as contribuições que dialoguem com a literatura econométrica já consolidada neste campo, como aquelas que utilizem qualquer fonte de dados que se revele estatisticamente robusta para o propósito do trabalho.
Este simpósio está pensado para economistas e especialistas em métodos quantitativos de diferentes países da região que estejam a trabalhar no desenvolvimento de melhores instrumentos de estimação, ou na sua aplicação a casos concretos. A ideia é que a discussão conjunta ajude a produzir evidência útil para a conceção de políticas de focalização mais custo-efetivas.

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