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A CIRCULAÇÃO LITERÁRIA E SOCIAL DA PALAVRA NA COLÔMBIA E NAS AMÉRICAS: SUPORTES, VOZES E MEDIAÇÕES

Este simpósio propõe estudar a circulação literária e social da palavra na Colômbia e nas Américas a partir dos suportes, vozes e mediações através dos quais as sociedades americanas produziram, transmitiram, conservaram, arquivaram, disputaram e transformaram as suas memórias. Em diálogo com o lema do 59.º Congresso Internacional de Americanistas, «Tradição e inovação: as memórias das Américas», a proposta entende a palavra não apenas como unidade linguística ou expressão textual, mas como prática histórica, poiética, estética, material, educativa, política, cultural e arquivística.

O simpósio parte de uma questão central: como circula a palavra nos mundos literários e na vida social, e que efeitos produz essa circulação na configuração de memórias, arquivos, identidades, hierarquias, comunidades, conflitos e formas de autoridade? Nesta perspetiva, interessam tanto os modos de circulação da palavra na sociedade (oralidade, carta, manuscrito, imprensa, revista, livro, telégrafo, rádio, escola, biblioteca, arquivo, sermão, discurso político, podcast e meios digitais) como as suas formas de circulação dentro das obras literárias. Em contos, romances, poemas, crónicas, peças teatrais ou ensaios, a palavra desloca-se entre narradores, personagens, leitores representados, espaços e instituições ficcionais através de conversas, rumores, cartas, confissões, sermões, silêncios, festas, cenas de leitura, empréstimos de livros, nomes próprios, alcunhas e formas de tratamento social.

O propósito do simpósio não é abordar a comunicação em sentido geral, mas analisar situações concretas em que a palavra se move, se fixa, se arquiva, se transmite, se interpreta ou se transforma. Por isso, propõe-se atender a três dimensões articuladas. A primeira corresponde aos suportes: aqueles meios materiais, técnicos ou simbólicos que permitem conservar ou transmitir a palavra, como o livro, a carta, o jornal, a revista, o arquivo, o telégrafo, a rádio ou as plataformas digitais. A segunda corresponde às vozes: sujeitos individuais ou coletivos que falam, escrevem, narram, leem, pregam, arquivam, ensinam, murmuram, traduzem ou interpretam. A terceira corresponde às mediações: instituições, práticas e espaços que tornam possível a circulação da palavra, como a escola, a igreja, a tipografia, a biblioteca, a imprensa, a tertúlia, a festa, a aula, a leitura pública ou a edição, bem como as instâncias da vida social, formais ou não formais, que constroem e custodiam arquivos, quer fixados por regras, quer caotizados pela desordem.

Serão recebidas comunicações que estudem a circulação da palavra na literatura colombiana, latino-americana e americana; na oralidade e na memória social; em cartas, jornais, revistas, folhetos, arquivos e cultura impressa; na escola e na formação de leitores; na vida religiosa, política e pública; em tecnologias de comunicação como o telégrafo, a rádio e os meios digitais; e em fenómenos de nominação como nomes próprios, pseudónimos, alcunhas, topónimos e nomes de instituições ou publicações.

Ao articular literatura e vida social, tradição e inovação, materialidade e memória, o simpósio procura reunir investigações que permitam compreender como a palavra tem organizado formas de

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