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NAVEGAÇÃO INTERIOR E INTEGRAÇÃO DO CONTINENTE SULAMERICANO

A imagem das águas emendadas pelo canal do Cassiquiare, na Venezuela, que por 326km conecta naturalmente as bacias do Amazonas e do Orinoco, traduz a dimensão continental da navegação interior do continente americano.
Esse sistema fluvial longitudinal continental antevisto por Humboldt no século XIX como base para o desenvolvimento interior do continente, resultaria na hipótese de interligação dos rios Orinoco, Amazonas e Prata, via navegação fluvial, a Hidrovia Norte-Sul, ou Hidrovia Orinoco-Amazonas-Prata (ORIAMAPLA).

O desenho da ORIAMAPLA integra as três maiores bacias hidrográficas da América do Sul, conectando pela via fluvial os países Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Brasil e Venezuela, entre Montevidéu e Buenos Aires e o Delta Amacuro, na foz do Rio Orinoco configurando 10.432km de hidrovias, ou Belém, na foz do Rio Amazonas, configurando 8.146km de hidrovias. De norte a sul, esse eixo de integração continental seria constituído pelos rios: na Bacia do Orinoco — Rio Orinoco; na Bacia do Amazonas — Rios Negro, Amazonas, Madeira, Mamoré, Guaporé; e na Bacia do Prata — Rios Paraguai, Paraná e Prata.

Se considerarmos os 16.886 km de fronteira entre o Brasil e os vizinhos da América do Sul, distribuídos em 7.363km de linha seca e 9.523km em rios, lagos e canais como feixes de infraestruturas hidroferrorodoviárias, tal sistema permitiria a integração de diversas regiões do país — e mesmo sulamericanas, por meio de uma rede de cidades porto-fluviais, pólos de desenvolvimento regional, em que fosse possível imaginar um horizonte de desenvolvimento econômico, urbano, político e social abrangendo as áreas urbanas e rurais do continente, tendo em vista a garantia do acesso à infraestrutura urbana, habitação e equipamentos públicos na fronteira oeste do Brasil. De norte a sul são cerca de 1.400.000km2 de faixa de fronteira, distribuídos em 11 estados, 588 municípios, dos quais 28 são cidades gêmeas.

Levando-se em consideração o histórico distanciamento das áreas de fronteira dos centros nacionais decisórios, na América Latina como um todo e no Brasil em particular, com seus eixos de desenvolvimento centrados na costa atlântica, a questão fronteiriça emerge como protagonista nessa discussão.O presente simpósio propõe reunir pesquisadores, docentes e profissionais interessados em refletir sobre a integração do continente sulamericano e as possibilidades de navegação interior com vistas ao desenvolvimento regional.

Serão bem-vindas contribuições relacionadas a:
Projetos de infraestruturas no interior do continente com vistas à integração do continente sulamericano;
Políticas públicas inter-setoriais, da esfera do continente até as esferas intramunicipais;
Políticas, programas e ações motivadas por uma visão ética e política humanista, social, pública e coletiva, que priorizem as áreas de fronteira para investimentos, oferecendo serviços e equipamentos públicos essenciais dos dois lados da fronteira.

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