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CRISE CLIMÁTICA, DESIGUALDADE E SUSTENTABILIDADE: ANÁLISE DA REALIDADE LATINO-AMERICANA

Reconhece-se que o marco institucional do debate voltado às questões ambientais teve início na década de 1970, período em que emergiram inúmeras indagações por parte da sociedade acerca do futuro do planeta. É importante destacar que tais questionamentos extrapolavam a dimensão estritamente ambiental, alcançando críticas ao modelo de sociedade vigente, às suas contradições e às formas de sociabilidade então predominantes.
Nesse contexto, as questões ambientais passaram a ocupar espaço significativo na agenda pública, tornando-se elementos centrais na formulação e implementação de políticas públicas em diversos Estados nacionais.
Um aspecto relevante desse debate foi — e continua sendo — o avanço tecnológico, que impulsionou a diversificação das atividades econômicas e industriais. Entretanto, esse mesmo processo ampliou os riscos de desastres ambientais, em razão da intensidade e da complexidade dos novos problemas gerados. Assim, a tecnologia, concebida como instrumento de melhoria da qualidade de vida e de expansão do sistema produtivo capitalista, tornou-se também um vetor de contaminação ambiental cujos efeitos ultrapassam fronteiras geopolíticas e são observados em diferentes regiões do planeta.
Desde as discussões sobre desenvolvimento sustentável e economia verde até a proposição dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para a Agenda 2030, observa-se que grande parte das preocupações e estratégias adotadas pelos principais atores internacionais permanece fundamentada em pressupostos econômicos compatíveis com a lógica capitalista. Nesse sentido, as recomendações voltadas à precaução, preservação e conservação ambiental tendem a ser formuladas de modo a não comprometer a dinâmica dos mercados. Contudo, a tentativa de conciliar a proteção dos recursos naturais com os imperativos do crescimento econômico frequentemente resulta em conflitos territoriais e socioambientais.
O agravamento desses desafios evidencia outra questão fundamental: embora haja ampla produção e circulação de informações por meio de sistemas informacionais e canais formais e informais de comunicação, bem como crescente conhecimento decorrente das catástrofes associadas às emergências climáticas que afetam estados, territórios e populações em todo o mundo, tais aprendizados nem sempre se traduzem em ações efetivas por parte daqueles responsáveis pela proteção de pessoas, patrimônios e ecossistemas. Como consequência, observam-se perdas recorrentes, retrabalho institucional e dificuldades na construção de soluções duradouras.
Diante desse cenário, a socialização de novos estudos, pesquisas e experiências, tanto públicas quanto privadas, voltadas à realidade latino-americana, mostra-se particularmente relevante no âmbito deste Congresso Latino Americano. A troca de conhecimentos e práticas bem-sucedidas contribui para a ampliação dos saberes, o fortalecimento das capacidades institucionais e a construção de sociedades mais resilientes e preparadas para enfrentar os complexos desafios socioambientais contemporâneos.

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