A COMPANHIA DE JESUS NAS AMÉRICAS, A SUA ESCRITA E A CONSTRUÇÃO DA IMAGINAÇÃO ETNOGRÁFICA.
A Companhia de Jesus se distingue, de outras ordenes religiosas, por conta de uma escrita destinada a conformar uma Memória destinada ao governo de daqueles sujeitos com os quais travou relação no marco da sua prática pedagógico-evangélica assim como, a dita escrita era concebida, desde as suas origens, para compor um vade-mécum que registrasse as ações desenvolvidas nas ‘Quatro partes do Mundo’ pelos irmãos de Inácio; conhecimento que seria destinado a compor uma melhor administração da prática missionária. Dentro deste amplio conjunto documental devemos de considerar, inclusive, uma porção significativa de uma escrita restrita, privada, destinada a ser conhecida só por alguns dos membros da Ordem e, por tanto, editada, até nossa atualidade, de forma parcial; encerrando este conjunto documental encontram-se distintas ilustrações e gravuras que acompanham as distintas peças documentais resguardadas em arquivos que, além da Memória da Companhia de Jesus, amostram a distribuição espacial de um dispositivo de poder destinado, desde os seus começos, para devir global.
Dentro deste variado conjunto de peças de informação, e nelas como um conjunto portador de uma lógica que ainda requer de pesquisas que consigam articular níveis analíticos dentro da construção daquela globalidade, é possível achar chaves de leitura que tornem possível destrinchar a conformação de uma imaginação etnográfica global sobre as diversas populações indígenas, com as suas devidas manifestações locais e re-significações sucedidas ao longo do tempo.
Nosso Simpósio, por tanto, convoca aos distintos pesquisadores e pesquisadoras para apresentar trabalhos concluídos, ou em andamento, que permitam explorar os alcances e reconfigurações de uma escrita que assinalou muitas das expressões ideais, no sentido proposto pelo Kant, sobre que o significava ser indígena nos séculos XVI-XVIII. Deste modo o Simpósio espera poder construir uma base de conhecimento ancorada num verdadeiro ‘jogo de escadas’ que não só resgate a conformação daquela Memoria e imaginação etnográfica global; o nosso objetivo final é apresentar novas linhas de pesquisa possíveis de serem debatidas desde um posicionamento crítico perante a escrita jesuítica.
