{"id":10950,"date":"2026-08-04T12:52:57","date_gmt":"2026-08-04T17:52:57","guid":{"rendered":"https:\/\/congresoica.org\/simposio\/fugitividades-quilombos-maroons-businenge-palenques-perspetivas-comparativas-e-os-seus-limites\/"},"modified":"2026-08-04T12:52:57","modified_gmt":"2026-08-04T17:52:57","slug":"fugitividades-quilombos-maroons-businenge-palenques-perspetivas-comparativas-e-os-seus-limites","status":"publish","type":"simposio","link":"https:\/\/congresoica.org\/pt-pt\/simposio\/fugitividades-quilombos-maroons-businenge-palenques-perspetivas-comparativas-e-os-seus-limites\/","title":{"rendered":"FUGITIVIDADES: QUILOMBOS, MAROONS, BUSINENGE, PALENQUES, PERSPETIVAS COMPARATIVAS E OS SEUS LIMITES"},"content":{"rendered":"<p>Nas Am\u00e9ricas e para al\u00e9m delas, as comunidades Maroon s\u00e3o geralmente entendidas como descendentes de pessoas escravizadas que fugiram do cativeiro, estabelecendo-se numa autonomia espacial, pol\u00edtica e sociocultural relativa face \u00e0s sociedades (p\u00f3s-)coloniais circundantes, ainda que em contraponto com elas. Como um conjunto de atos de resist\u00eancia, o marronage oferece uma rica tape\u00e7aria de contra-hegemonia, insularidade e complexas rela\u00e7\u00f5es coloniais moldadas por geografias ainda mais complexas. No Atl\u00e2ntico Negro, o marronage tornou-se um s\u00edmbolo male\u00e1vel, usado n\u00e3o s\u00f3 para retratar a modernidade afro-atl\u00e2ntica (fornecendo alguns dos primeiros exemplos de governamentalidade p\u00f3s-colonial e de contrapontos hist\u00f3ricos \u00e0 autoafirma\u00e7\u00e3o euro-americana), mas tamb\u00e9m para intervir em historiografias que fazem amplas suposi\u00e7\u00f5es sobre o alcance e a escala dos poderes coloniais.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias de Maroons, Quilombolas, Cimarrones, Palenqueros, Businenge e coletivos semelhantes variam enormemente, em termos de forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, formas contempor\u00e2neas de vida e os seus envolvimentos pol\u00edticos, ecol\u00f3gicos e cosmol\u00f3gicos. Devido, em parte, a esta grande varia\u00e7\u00e3o, as abordagens emp\u00edricas comparativas \u00e0s comunidades Maroon (particularmente atrav\u00e9s de fronteiras nacionais) s\u00e3o simultaneamente relativamente escassas e podem tornar-se projetos de apagamento, exclus\u00e3o e injusti\u00e7a epist\u00e9mica. Al\u00e9m disso, a natureza dos estudos sobre os Maroon mudou significativamente ao longo dos \u00faltimos cinquenta anos. Os primeiros estudiosos dos Maroon centraram-se intensamente na etnog\u00e9nese e na forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Estas pegadas, e os estreitos trilhos intelectuais que criaram, ironicamente treinaram e fixaram o marronage nas reticulas de uma abertura colonial que procurou compreender precisamente como um grupo t\u00e3o vasto conseguiu escapar \u00e0 supervis\u00e3o colonial. Assim, o marronage impresso criou um olhar artefactual dos Maroons em voo congelado.<\/p>\n<p>Mais recentemente, os estudos em torno das Geografias Negras e das Ecologias Negras, baseados em tradi\u00e7\u00f5es intelectuais e pol\u00edticas anteriores, come\u00e7aram a reengajar-se conceptualmente com o marronage como evid\u00eancia do poder que pode ser gerado quando a) a negritude existe de formas furtivas e b) a fugitividade \u00e9 utilizada para produzir territorialidade, identidade e seguran\u00e7a. Esta desacelera\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o do marronage &#8211;como hist\u00f3ria e como conceito pol\u00edtico&#8211; deixou os estudos sobre os Maroon cada vez mais dissociados do pulso contempor\u00e2neo das in\u00fameras vidas quotidianas das comunidades Maroon. A arritmia dos estudos desligados n\u00e3o \u00e9 simplesmente um problema para a orquestra\u00e7\u00e3o de empreendimentos intelectuais; manifesta-se no mundo material como uma esp\u00e9cie de viol\u00eancia percussiva, infiltrando obtusidade e impraticabilidade nas rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e geogr\u00e1ficas que os l\u00edderes, ativistas e comunidades Maroon procuram ter entre si.<\/p>\n<p>Este painel procura trabalhar ao ritmo e dentro do pulso das respetivas comunidades Maroon para compreender como as semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as podem ser tecidas numa tape\u00e7aria de a\u00e7\u00e3o ainda mais rica. Interessamo-nos por como os Maroons contempor\u00e2neos entendem as suas hist\u00f3rias partilhadas e divergentes, e os contributos contempor\u00e2neos e futuros para a mobiliza\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, tocando em temas locais e globais cruciais como a lideran\u00e7a pol\u00edtica e econ\u00f3mica das mulheres, os sistemas ecol\u00f3gicos contracoloniais, a coopta\u00e7\u00e3o para a extra\u00e7\u00e3o de recursos e a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Convidamos contributos de investigadores Maroon|Quilombola e|ou parceiros de investiga\u00e7\u00e3o interessados em contribuir para a gera\u00e7\u00e3o de discuss\u00f5es contempor\u00e2neas sobre as condi\u00e7\u00f5es materiais das comunidades Maroon em todas as Am\u00e9ricas e nas Cara\u00edbas.<\/p>\n","protected":false},"template":"","simposio_area":[44],"class_list":["post-10950","simposio","type-simposio","status-publish","hentry","simposio_area-antropologia-y-antropologia-social"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>FUGITIVIDADES: QUILOMBOS, MAROONS, BUSINENGE, PALENQUES, PERSPETIVAS COMPARATIVAS E OS SEUS LIMITES - 59\u00ba Congreso Internacional de Americanistas<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/congresoica.org\/simposio\/fugitividades-quilombos-maroons-businenge-palenques-perspetivas-comparativas-e-os-seus-limites\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"FUGITIVIDADES: QUILOMBOS, MAROONS, BUSINENGE, PALENQUES, PERSPETIVAS COMPARATIVAS E OS SEUS LIMITES - 59\u00ba Congreso Internacional de Americanistas\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Nas Am\u00e9ricas e para al\u00e9m delas, as comunidades Maroon s\u00e3o geralmente entendidas como descendentes de pessoas escravizadas que fugiram do cativeiro, estabelecendo-se numa autonomia espacial, pol\u00edtica e sociocultural relativa face \u00e0s sociedades (p\u00f3s-)coloniais circundantes, ainda que em contraponto com elas. 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